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A razão para a prática é simples: as empresas querem tirar proveito de
uma relação que o consumidor construiu com o produto no passado, para
aproximá-lo e atrai-lo, novamente, no presente. “É como a primeira
namorada. Você lembra da música que tocou quando saíram a primeira vez,
lembra do perfume, do doce preferido”, diz o professor do curso de
engenharia mecânica automobilística do Centro Universitário FEI, Ricardo
Bock. Claro que tudo isso só funciona se “a primeira namorada” não
tiver partido o coração do rapaz – ou, no caso, se o carro não o tiver
decepcionado.Reconhecimento e posicionamento
Além do apelo emocional, o nome tem a função de criar a identificação de um produto, especialmente em um mercado que tem se tornado cada vez mais diversificado como o nosso. “Na medida que o setor cresce, há mais oportunidades de segmentação, de lançamento de marcas e modelos. Nesse cenário, um dos grandes recursos em força de marca é o nome, que precisa ser lembrado. Como construir essa identidade é caro e demorado, as empresas vão buscar algo do passado para já sair de um patamar de lembrança favorável”, explica Marcos Machado, professor de branding no MBA da ESPM.
| Clássicos resgatados no Brasil | ||
|---|---|---|
| Modelo | Saiu de linha em | Resgatado em |
| Fiat 500 | 1975 | 2007 |
| VW Voyage | 1996 | 2008 |
| VW Fusca | 1996 | 2012 |
| Fiat Uno | 1998 (virou Mille) | 2010 |
| VW Santana | 2006 | 2014 (previsto) |
| Ford Escort | 2003 | 2015 (previsto) |
Um nome antigo em um segmento novo só costuma ser aceito pelo consumidor quando se trata de um carro de nicho. Não faltam casos recentes na indústria automotiva - Fiat 500, Mini Cooper e VW Fusca são apenas alguns deles. “Uma pessoa de 40, 50 anos, talvez tenha aprendido a dirigir em um Fusca. Depois ela partiu para outros carros. Mas sempre curtiu o modelo”, afirma Bock Então, a ligação afetiva é refeita e o consumidor pode se dispor a pagar mais porque está em outra fase da vida, com mais grana, mas não se desvinculou do passado.
Não há somente vantagens em usar um nome conhecido. Ao fazer isso, as montadoras precisam tomar o cuidado de atualizar 100% o automóvel para que ele seja associado à simpatia e ao sentimento despertados em outra época, não a algo antigo em si. “Eu não tenho observado nenhuma das marcas contar com a força do momento passado, até porque nem todo mundo é nostálgico. Essa parcela pode ser expressiva. Mas é uma aposta perigosa. As pessoas querem novidade o tempo todo e seria ingenuidade acreditar no mesmo patamar de sucesso da primeira vez”, fala Marcos Machado, da ESPM.
Outro aspecto importante é a expectativa que a recuperação do nome gera. Já que remete ao passado, o cliente espera que o carro entregue o mesmo que o seu antecessor. E quando isso não acontece, o nome é “queimado” para sempre.
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